quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sentindo as ondas

Eu tento entender cada onda que vem até os meus pés

Sentir o salgado da boca que fica quando venta nas caminhadas que eu faço na beira do mar saudando cada movimento que o compasso das minhas pernas fazem na areia pra chegar ao infinito desejado e não desejado por algo que pulsa as minhas vísceras

Pulsa, pulsa e pulsa o tempo inteirinho.

O mar é bravo, a maré enche e esvazia.

A solidão é companheira do surfista

A prancha é o apoio do consolo

O estrepe firma os pés ou os pulsos pra dar a certeza que a vida vai continuar quando a onda bater e a correnteza para o fundo serem puxados

O fôlego é sustentável, amargo, rejeitado, odiado, raivoso, temeroso, gelado, comprometedor e por fim limitador.

A maré continua no seu balanço habitual da noite ao dia

Virada da lua ao sol, a um suspiro, a uma dor.

Desejo o meu desejo de viver a minha própria vida

Libertando a minha própria liberdade

Felicitando a minha própria felicidade

Abraçando o meu próprio abraço

Surfando as minhas próprias ondas

E, por fim, vivendo a minha própria vida.

Marina de Andrade

28/8/08

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