sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Neco e Mineirinho comandam o quarteto brasileiro em um novo Circuito Mundial

Experientes, surfistas vão representar o país ao lado dos estreantes Jadson André e Marco Polo. Janela de espera na Austrália começa nesta sexta



O som da buzina, anunciando o início de cada bateria, terá significado distinto para cada um dos quatro brasileiros que, nesta sexta-feira, disputam a primeira etapa do Circuito Mundial de surfe, na Gold Coast australiana. Adriano de Souza, o Mineirinho, top 5 em 2009, carrega a maior esperança. Neco Padaratz, o mais experiente, retorna após um capítulo – mais um - de superação. Marco Polo, aos 28 anos, enfim tem a chance de entrar na elite. O caçula Jadson André, também estreante, tenta colocar à prova as novas tendências do surfe. Contra eles, outros 41 surfistas. Na lista, os campeões mundiais Kelly Slater, Andy Irons e Mick Fanning. Em jogo, o título de um campeonato com novas regras.
No feminino, onde o regulamento não mudou, o Brasil tem duas representantes entre as 16 surfistas: a paranaense Bruna Schmitz e a cearense Silvana Lima.
O campeão continuará sendo apontado pelo ranking, com direito a dois descartes. O grupo dos 45 integrantes da elite, no entanto, vai mudando ao longo da temporada. Depois da quinta das dez etapas, apenas os 32 primeiros continuam. Os piores serão substituídos pelos dez melhores do ranking unificado – que inclui também as etapas do WQS, a divisão de acesso - e quatro convidados.
Atual vice-campeão da etapa da Gold Coast, Mineirinho leva, sobre sua prancha, a maior esperança brasileira de um dia erguer um caneco. O paulista do Guarujá traz, como cartão de visita, a vitória na etapa de Mundaka e elogios de ídolos do presente e do passado.

- Terminar no top 5 é um grande feito. Ele é muito talentoso e tem chance - disse o americano Rob Machado, vice-mundial em 1995, lembrando ainda um velho amigo - Conheço o Neco de longa data. E é bom vê-lo de volta.
Contemporâneo de Rob Machado, o catarinense Neco Padaratz vestiu uma camiseta do Circuito Mundial pela primeira vez em 1997, quando a série ainda era chamada de WCT. De lá para cá, idas e vindas, vitórias e derrotas, lesões e até um quase encontro com a morte – em 2000, sofreu um acidente no Taiti. Agora, aos 33 anos, ele volta à elite com aspirações de garoto, depois de ter superado outra arrebentação. Ganhou a vaga de convidado porque, em 2008, foi obrigado a abandonar as disputas em consequência de uma lesão nas costas.

No ano passado, sem poder competir e sem patrocinadores, chegou a entregar flores na Califórnia para ajudar no sustento da família. Temeu não ganhar a vaga - a concorrência pelos três convites era grande -, mas a confirmação veio, e a tempestade passou.
Neco foi sozinho para a Austrália. Deixou o filho, Zion, de 1 ano, e a esposa, Ana, em casa, na Califórnia. Terá, porém, um conterrâneo como companheiro. Veterano em competições nacionais, o também catarinense Marco Polo finalmente conseguiu deslanchar no WQS em 2009. Apenas agora, aos 28 anos, vai estrear entre os melhores do mundo.

- Ele é um surfista de coragem. Acho que vai se dar bem nas ondas pesadas – aposta Fábio Gouveia, ex-integrante da elite mundial.
A Jadson André, de 20 anos, a responsabilidade de defender o chamado “novo surfe”. Adepto das manobras aéreas, ele terá seu estilo testado. Nascido em Natal, ele “substitui” o cearense Heitor Alves como representante nordestino na elite. E Fabinho Gouveia, também nordestino, está confiante.

- É um estilo que os juízes gostam de ver, mas o Jadson vai ter que prestar atenção. É natural que um surfista tenha uns 2 ou 3 anos de adaptação – disse.

Baterias da primeira fase:
1: Dane Reynolds (EUA), Roy Powers (HAV), Brett Simpson (EUA)
2: Damien Hobgood (EUA), Jeremy Flores (FRA), Matt Wilkinson (AUS)
3: Bobby Martinez (EUA), Tiago Pires (POR), Tanner Gudauskas (EUA)
4: C.J. Hobgood (EUA), Adrian Buchan (AUS), Travis Logie (AFS)
5: Kelly Slater (EUA), Ben Dunn (AUS), Marco Polo (BRA)
6: Adriano de Souza (BRA), Michel Bourez (TAH), Blake Thornton (AUS)
7: Taj Burrow (AUS), Chris Davidson (AUS), Neco Padaratz (BRA)
8: Mick Fanning (AUS), Kai Otton (AUS), convidado
9: Joel Parkinson (AUS), Kekoa Bacalso (HAV), convidado
10: Bede Durbidge (AUS), Mick Campbell (AUS), convidado
11: Jordy Smith (AFS), Drew Courtney (AUS), Dusty Payne (HAV)
12: Taylor Knox (EUA), Luke Stedman (AUS), Nathan Yeomans (EUA)
13: Tom Whitaker (AUS), Andy Irons (HAV), Jay Thompson (AUS)
14: Kieren Perrow (AUS), Daniel Ross (AUS), Luke Munro (AUS)
15: Fredrick Patacchia (HAV), Patrick Gudauskas (EUA), Owen Wright (AUS)
16: Dean Morrison (AUS), Jadson André (BRA), Adam Melling (AUS)


Primeira fase feminina:
1: Sally Fitzgibbons (AUS), Paige Hareb (NZL), Carissa Moore (HAV)
2: Coco Ho (HAV), Rebecca Woods (AUS), Claire Bevilacqua (AUS)
3: Stephanie Gilmore (AUS), Bruna Schmitz (BRA), TBA
4: Silvana Lima (BRA), Jessi Miley-Dyer (AUS), Nikita Robb (AFS)
5: Sofia Mulanovich (PER), Rosanne Hodge (AFS), Lee Ann Curren (FRA)
6: Melanie Bartels (HAV), Chelsea Hedges (AUS), Amee Donohoe (AUS)

Em festa de gala, Fanning e Gilmore recebem os troféus de campeões

Na Gold Coast, australianos são protagonistas de cerimônia que marca o início da temporada 2010 do Circuito Mundial de surfe


Stephanie Gilmore e Mick Fanning foram os protagonistas da festa de gala que marca o início do Circuito Mundial, na Gold Coast australiana. Eles receberam os troféus de campeões da temporada 2009. Stephanie é a atual tricampeã. Mick já tinha vencido em 2007. A janela de abertura da primeira das dez etapas começa nesta sexta-feira.
Todos os premiados:

Campeão mundial: Mick Fanning (AUS)
Campeã mundial: Stephanie Gilmore (AUS)
Campeão mundial de longboard: Harley Ingleby (AUS)
Campeã mundial de longboard: Jennifer Smith (AUS)
Campeão mundial júnior: Maxime Huscenot (REU)
Campeã mundial júnior: Laura Enever (AUS)
Vice-campeão mundial: Joel Parkinson (AUS)
Vice-campeã mundial: Silvana Lima (BRA)
Surfistas mais surpreendentes: Dane Reynolds (EUA) e Rosanne Hodge (AFS)
Estreantes do ano: Kekoa Bacalso (HAV) e Coco Ho (HAV)
Campeão do WQS: Dan Ross (AUS)
Campeã do WQS: Coco Ho (HAV)
Prêmio Peter Whitaker: Kieren Perrow (AUS)
Membro vitalício: Layne Beachley (AUS)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Marco Polo vai encarar Kelly Slater em sua estréia no Circuito Mundial

Neco Padaratz também cai em bateria difícil, contra Taj Burrow



Marco Polo terá um teste de fogo em sua estreia no Circuito Mundial de surfe. O catarinense caiu na mesma bateria que o americano Kelly Slater, eneacampeão do mundo. Eles enfrentarão ainda o australiano Bem Dunn no quinto duelo da primeira fase. A janela de espera começa na noite desta sexta-feira, na Gold Coast australiana.

Quem também terá uma estreia dura é Neco Padaratz. De volta à elite após dois anos se recuperando de uma lesão nas costas, o catarinense vai disputar a sétima bateria na Gold Coast, contra dois australianos: Taj Burrow e Chris Davidson.

Dono do melhor resultado do Brasil nos últimos anos, Adriano de Souza, o Mineirinho, terá o taitiano Michel Bourez e o aussie Blake Thornton como adversários. No ano passado, Mineirinho brigou pelo título mundial e fechou a temporada na quinta colocação – o melhor ranking do Brasil foi um terceiro lugar, obtido por Victor Ribas em 1999.

O quarteto verde-amarelo se completa com o potiguar Jadson André. Assim como Neco, ele encara dois australianos: Dean Morrison e Adam Melling.

No feminino, a paranaense Bruna Schmitz vai enfrentar a australiana Stephanie Gilmore, atual tricampeã mundial. Já a cearense Silvana Lima pega a aussie Jessi Miley-Dyer e a sul-africana Nikita Robb.

Baterias da primeira fase:

1: Dane Reynolds (EUA), Roy Powers (HAV), Brett Simpson (EUA)
2: Damien Hobgood (EUA), Jeremy Flores (FRA), Matt Wilkinson (AUS)
3: Bobby Martinez (EUA), Tiago Pires (POR), Tanner Gudauskas (EUA)
4: C.J. Hobgood (EUA), Adrian Buchan (AUS), Travis Logie (AFS)
5: Kelly Slater (EUA), Ben Dunn (AUS), Marco Polo (BRA)
6: Adriano de Souza (BRA), Michel Bourez (TAH), Blake Thornton (AUS)
7: Taj Burrow (AUS), Chris Davidson (AUS), Neco Padaratz (BRA)
8: Mick Fanning (AUS), Kai Otton (AUS), convidado
9: Joel Parkinson (AUS), Kekoa Bacalso (HAV), convidado
10: Bede Durbidge (AUS), Mick Campbell (AUS), convidado
11: Jordy Smith (AFS), Drew Courtney (AUS), Dusty Payne (HAV)
12: Taylor Knox (EUA), Luke Stedman (AUS), Nathan Yeomans (EUA)
13: Tom Whitaker (AUS), Andy Irons (HAV), Jay Thompson (AUS)
14: Kieren Perrow (AUS), Daniel Ross (AUS), Luke Munro (AUS)
15: Fredrick Patacchia (HAV), Patrick Gudauskas (EUA), Owen Wright (AUS)
16: Dean Morrison (AUS), Jadson André (BRA), Adam Melling (AUS)

Primeira fase feminina

1: Sally Fitzgibbons (AUS), Paige Hareb (NZL), Carissa Moore (HAV)
2: Coco Ho (HAV), Rebecca Woods (AUS), Claire Bevilacqua (AUS)
3: Stephanie Gilmore (AUS), Bruna Schmitz (BRA), TBA
4: Silvana Lima (BRA), Jessi Miley-Dyer (AUS), Nikita Robb (AFS)
5: Sofia Mulanovich (PER), Rosanne Hodge (AFS), Lee Ann Curren (FRA)
6: Melanie Bartels (HAV), Chelsea Hedges (AUS), Amee Donohoe (AUS)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Onda de 10m faz carioca entrar na luta pelo prêmio XXL, o 'Oscar' do surfe

Felipe ‘Gordo’ Cesarano pegou um paredão em Waymea, no Havaí


O Brasil tem mais um concorrente ao prêmio XXL, o "Oscar" do surfe. No mesmo dia em que Carlos Burle – que busca o de melhor tubo – surfou em Jaws, na ilha de Maui, Felipe Cesarano, remou, sem ajuda de jet ski, uma onda de cerca de 10m em Waymea Bay, em Oahu. Ele também está inscrito na categoria remada.

Felipe teve a companhia do amigo Yan Guimarães. Foi no dia 11 de janeiro. Yan, porém, não foi inscrito na disputa.
- Era uma muralha, como nunca tinha visto na vida. Eu nem ia remar para ela. O Yan falou: "quem pegar vira heroi". Não vi nada. Não dá nem para explicar o frio na barriga. Quando eu olhei para trás, o que vi? O Yan! Sabia que tinha sido a onda da minha vida - disse Felipe, em um vídeo divulgado na internet.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Hobgood espanta zebras, bate Raoni e fatura WQS de Fernando de Noronha

Americano lidera o ranking mundial, seguido pelo brasileiro Alejo Muniz


Não deu para as zebras. O americano C. J. Hobgood confirmou seus status de favorito no fim de semana e conquistou o WQS seis estrelas prime de Fernando de Noronha. O brasileiro Raoni Monteiro chegou à final pela terceira vez consecutiva nas ondas da Cacimba do Padre, mas não conseguiu bater o rival na decisão.

O título no evento rendeu ao americano 6.500 pontos, colocando-o no topo do ranking da ASP. Raoni somou 4.875 pontos e ficou na terceira posição da lista, atrás do também brasileiro Alejo Muniz. O jovem Muniz e o compatriota Wiggoly Dantas terminaram empatados em terceiro lugar em Noronha.

- No ano passado, eu coloquei muita pressão em mim mesmo, e não funcionou. Foi fantástico ganhar agora no começo da temporada. Tive sorte ao longo de todo o dia e estou satisfeito por surfar neste cenário fantástico – afirmou Hobgood após o evento.

Apesar de ter perdido sua segunda final seguida em Noronha, Raoni não estava decepcionado.

- Mesmo perdendo duas vezes, estou definitivamente feliz. CJ é um grande surfista, sempre chegando às finais, então está tudo bem. É legal estar na final três vezes seguidas aqui. Agora preciso apenas de um novo patrocinador para seguir meu caminho – afirmou o brasileiro.

Mesmo com a janela indo até domingo, os organizadores decidiram fazer a final do campeonato no sábado. A partir das quartas de final, Hobgood atropelou os brasileiros que apareceram em seu caminho. Nas quartas, ele derrotou Gustavo Fernandes. Nas semis, a vítima foi Alejo Muniz, antes da final contra Raoni.

Sem ondas na parte direita da praia, Hobgood e Raoni foram para o lado esquerdo. O americano conseguiu um 8, maior nota da final, e na sequência emplacou um 6.33. Com poucas ondas, Raoni não conseguiu mais reagir.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Velho conhecido das águas de Paracuru, Heitor Alves vence Alejo e é campeão

Em casa, surfista cearense supera catarinense por apenas sete centésimos


O fim do WQS de Paracuru reservou a glória para um velho conhecido. Em uma final emocionante, com as areias da praia Ronco do Mar lotadas, o cearense Heitor Alves venceu o catarinense Alejo Muniz por uma diferença de apenas sete centésimos (16,07 contra 16,00). Com a vitória, ele somou 2.250 pontos no ranking da divisão de acesso do Circuito Mundial. Nesta terça-feira, começa outra etapa do WQS em Fernando de Noronha (PE).

- Não dá nem pra acreditar. Vencer em casa com essa galera que lotou a praia e torceu por mim, com minha família toda aqui, é indescritível, não sei nem o que falar. Estou realizado e este foi o meu primeiro passo pra voltar à elite. Fiquei dois anos nela e senti que lá é o meu lugar. O primeiro ano foi de reconhecimento e no ano passado acabei saindo, mas certamente vou voltar pra não sair mais – afirmou o surfista.

Nas quatro baterias do dia, Heitor foi somando vitórias. Leonardo Neves, Hizunomê Bettero e Alan Jones, revelação da disputa, caíram diante do cearense. Na grande final, Alejo começou melhor, mas logo Heitor assumiu a ponta com uma nota 7,67. O catarinense deu o troco com uma onda parecida que valeu nota 7,83.

A torcida explodiu quando o cearense aplicou duas manobras muito fortes para arrancar um 8,40 dos juízes. Alejo precisava de 8,25 pontos, mas só conseguiu 8,17.

- Fazer final é sempre muito bom. Eu fiz o que pude na minha última onda e achei que tinha virado. Mas, estou feliz assim mesmo porque o Heitor estava bem no campeonato, surfando muito bem em todas as suas baterias e mereceu a vitória - falou Alejo, que no ano passado foi campeão brasileiro e sul-americano Pro Junior e fechou a temporada conquistando o troféu de revelação da última Tríplice Coroa Havaiana, quase conquistando uma vaga no ASP Tour.